Lívia Sombrio: a Justa Trama, o impacto social e ambiental
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A Livia Sombrio é modelista em Porto Alegre, Rio Grande do Sul e trabalha na Justa Trama, uma cooperativa composta por trabalhadores(as) organizados(as) em empreendimentos da economia solidária. São mulheres e homens agricultores, fiadores, tecedores, costureiras, artesão e coletores e beneficiadores de sementes. É gente que acredita no comércio justo e solidário e em relações de produção sem exploração. A Cooperativa Central Justa Trama é uma cadeia produtiva, processo que inicia no plantio do algodão agroecológico e vai até comercialização de peças de confecção produzidas com este insumo.

A Justa Trama está presente em 5 estados brasileiros: o plantio e colheita do algodão é feita no Mato Grosso e no Ceará, a colheita do coquinho e do açaí é feita em Rondônia, e a tecelagem é feita em Minas Gerais. Então o tecido vai para o bairro Sarandi, em Porto Alegre. Este bairro é muito conhecido na região por reunir diversas lojas de tecidos, lojas de aviamentos, confecções, costureiras, o bairro reune muita atividade têxtil. A cooperativa segue o caminho oposto do clima da região, pois há denúncias de exploração de mão de obra em algumas fábricas.

Reprodução: Justa Trama

A cooperativa começou suas atividades há 22 anos como uma forma de costureiras unirem forças para buscar melhores trabalhos, ao invés de ficarem isoladas em suas casas. Com o passar do tempo as fundadoras da cooperativa começaram a questionar sobre o trabalho que exerciam e sobre a procedência do tecido que elas estavam costurando.

"Elas queriam fazer algo que faça muito mais sentido do que só cortar o tecido e costurar" Lívia Sombrio, designer

Então elas partiram para a criação desta rede de cooperativas. Hoje a Justa trama é uma cooperativa central de uma rede de 5 outras e mais de 600 cooperados.

Reprodução: Instagram @justa.trama

Com toda essa historia inspiradora como pano de fundo, a Livia começou a trabalhar na Justa Trama no ano passado com a ideia inicial de criar uma coleção e algumas modelagens. O foco era criar peças com mais apelo de moda para serem vendidas com etiqueta própria. O que era para ser uma coleção virou um projeto muito maior, com ações de marketing e abertura de novos pontos de venda.

"Quando entrei, eu já tinha um objetivo traçado. A Justa trama já é conhecida pelos seus tecidos e confecção de private label, mas a sua marca ainda não é muito conhecida. Ainda tem muito chão e muito posicionamento de marca que podemos trabalhar. Por conta da visibilidade de cooperativa, temos muito para crescer." Lívia Sombrio, designer

A Livia faz um pouco de tudo dentro deste projeto, o que ela adora, assim não sente que a rotina fica monótona. Lá ela tem a possibilidade de se envolver com o marketing, desenvolver as modelagens, viajar pelo Brasil para abrir novos pontos de venda e se conectar com as outras cooperativa.

Reprodução: Instagram @justa.trama

Além disso, a cooperativa tem uma parceria com o Instituto C&A e o Instituto Renner, que indicam clientes  para desenvolverem peças private label. A maioria desses clientes não possui a modelagem, então a Livia também fica responsável por esses moldes. Ela diz que este é um processo cansativo, pois tem que fazer as peças pilotos, aprovar modelagens. Fazer tudo no papel era quase impossível, pois são muitas etapas, pessoas envolvidas e processos. Com a Molde.me todo o processo ficou muito mais rápido e simples.

"O modelista é um pouco do coração da marca. Muita gente acha que é a pessoa que cria. Eu acho que muito mais do que a pessoa que cria as peças, a modelista tem que ter uma visão criativa. Muitos acreditam que a modelagem é algo somente sobre cálculos e técnicas, mas toda a interpretação do desenho, da ficha técnica fica a cargo do modelista É ele quem tem o entendimento para saber se aquilo ali vai funcionar, se tem que achar outro modo de fazer." Lívia Sombrio, designer

No dia em que batemos esse papo para conhecer mais sobre a Justa Trama, a Lívia nos contou que estava se preparando para um desfile protesto contra o uso de agrotóxicos no dia 16/08/2019. Depois as peças apresentadas neste desfile estarão disponíveis para venda na loja da cooperativa.

Reprodução: Instagram @justa.trama

A Lívia soube da Molde.me no final de 2018 através de um conhecido, que apresentou o projeto, que ainda estava no início. Como ela sempre teve interesse em ter seu software de modelagem, mas os preços não cabiam no orçamento da cooperativa, ela se sentiu entusiasmada para conhecer. Ela é fã de novas empresas de tecnologia e fica muito feliz em participar de perto do desenvolvimento e evolução da Molde.me. No futuro, ela vê o sistema trazendo cada vez mais funcionalidades e inovações que vão facilitar a sua rotina, acompanhando o crescimento da marca da Justa Trama. Além disso, o fato do sistema ser todo na nuvem permite que ela acesse e trabalhe de qualquer lugar, em qualquer computador, sem deixar um rastro de papel picado por onde passa.

No seu dia a dia, a Livia costuma usar bases de modelagem no formato dos manequins da marca. Então ela faz a modelagem, depois a peça piloto para conferir e fazer alterações necessárias. Por último ela faz a gradação em poucos minutos e entrega o arquivo digital para os clientes, que ficam responsáveis pela impressão dos moldes e riscos.

Reprodução: Instagram @justa.trama

Nós da Molde.me ficamos felizes em fazer parte de um projeto com tanto impacto social e ambiental quanto esse feito pela Justa Trama. Empoderar trabalhadores, pagar valores justos pelos produtos e incentivar a produção consciente de algodão, tecidos e roupas são exemplos que deveriam ser seguidos por todas as empresas têxteis.

por
Tyara Nascimento
em
27/8/2019
+55 48 3380-9444
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Jaraguá do Sul - SC